Os Robôs da Alvorada

Os Robôs da Alvorada

Os Robôs da Alvorada (ou os Robôs do Amanhecer) foi publicado originalmente em 1983 e é o terceiro romance da Série dos Robôs, de Isaac Asimov, foi publicado com uma distância de quase 30 anos do seu antecessor — O Sol Desvelado — e se passa dois anos após os eventos narrados nele. O livro foi indicado ao prêmio Hugo e ao prêmio Locus em 1984.

Nesse romance policial acompanhamos o detetive da Terra Elijah Bailey e seu companheiro robô Daneel Olivaw em mais um caso, dessa vez um roboticídio no planeta Aurora, o mais antigo e respeitado dos mundos siderais.

Em As Cavernas de Aço (1953)  estivemos na Terra onde não há praticamente robôs e uma superpopulação humana, depois visitamos Solaria em O Sol Desvelado (1957) onde não há praticamente humanos e uma superpopulação de robôs e estamos agora em Aurora, onde parece existir uma quantidade equilibrada de robôs e humanos.

Esse é o livro mais longo da série e muita coisa acontece nos poucos dias que Baley permanece em Aurora. É possível notar logo de cara que a escrita do autor mudou nesses 30 anos entre O Sol Desvelado e Os Robôs da Alvorada, nos dois primeiros livros da série Asimov está provando que é possível envolver ficção científica em qualquer gênero, inclusive romance policial, agora ele publica um livro que já havia planejado e que por muito tempo não entrou no papel (é… eu fiz essa piada), aqui ele explora, além da sociedade – o que é a principal característica nos livros dessa série – também o comportamento dos robôs, como se relacionam entre si e como as leis da robótica agem nas suas vias positrônicas.

Enquanto nos dois primeiros romances da série o universo da Fundação — obra máxima do autor — não é mencionado, nesse, meu caro, ele está inteirinho costurado na narrativa, situando a Série dos Robôs muitos anos antes do tempo em que se passa a Fundação. Enquanto seguimos as investigações do detetive terráqueo em Aurora descobrimos as primeiras sugestões da psico-história, as aspirações para a criação de um Império Galáctico e personagens que reencontraremos daqui alguns séculos.

Se você ainda não leu Fundação, Os Robôs da Alvorada é a deixa para se aventurar no colapso do Império Galáctico e se você já leu, esse livro vai ter uma camada extra que vai te fazer sorrir aqui e ali.

Nem tudo são flores na escrita de Asimov, apesar de melhorar muito em relação às suas obras anteriores, nesse livro ainda temos uma representação bem fraca de personagens femininas e de como são tratados na narrativa, existem três mulheres no livro e os seios de todas elas são descritos. Dessas três apenas duas são relevantes na história e a vida sexual de ambas é discutida. Esse é um problema que constantemente é apontado em obras tanto de Asimov quanto de seus contemporâneos no gênero de ficção científica, são livros escritos por homens, para homens e com esse público em mente. Em geral, os personagens não são o ponto forte de Asimov, ele é aclamado pelas ideias e pela narrativa, seus heróis e vilões são um pouco caricatos e bidimensionais.

Fonte: https://humanitysdarkerside.com/2012/07/12/asimov-isaac/

A história de Os Robôs da Alvorada é bem linear, antes do último capítulo não há reviravoltas, Elijah segue interrogando as pessoas que julga necessário e a partir de cada interrogatório descobre quem deveria ser o próximo a ser interrogado. O detetive conta com seu instinto investigativo para fazer diversas suposições e “jogar verde” com alguns suspeitos e todas funcionam. Algo que achei curioso foi que assim como em O Sol Desvelado, a história que Elijah utiliza para resolver o caso, apesar de não ser inteiramente falsa, não é a verdadeira história sobre como as coisas aconteceram.

Após o sucesso de Bailey resolvendo  o caso em Solária e motivado a incentivar as pessoas da Terra em direção à colonização de novos mundos pela Galáxia, o detetive está em uma jornada para vencer seu medo de lugares abertos (agorafobia) e com sua promoção no trabalho tem agora permissão para, algumas horas por dia, acompanhar um grupo de pessoas para fora das Cidades de Aço fechadas a fim de que eles se acostumem com o ar livre e a realidade que devem enfrentar em novos mundos. Porém ele é intimado a ir até Aurora investigar o caso de um robô que teve uma paralisação mental. O robô em questão é Jander Panell, o primeiro e único robô humaniforme criado após Daneel. A única pessoa que possui o conhecimento necessário para causar isso é o roboticista Dr. Hans Fastolfe, que criou os dois robôs humaniformes, porém ele afirma que não o fez. E é a pedido do Dr. Fastolfe que Bailey é levado — sem escolha — até Aurora.

As coisas se complicam ainda mais, já que provar a inocência do Dr. Falstolfe é a única forma de garantir que a Terra possa explorar novos planetas e sair das Cidades superlotadas da Terra, já que os inimigos políticos do Dr. Fastolfe querem usar robôs humaniformes para a expansão pela galáxia criando novos planetas que sejam réplicas de Aurora e consequentemente não evoluindo a sociedade humana de nenhuma forma.

“Outra vez ele [Elijah] aceitava a Cidade como um útero e voltava pra ela com alívio e satisfação. Ele sabia que esse útero era o lugar de onde a humanidade deveria emergir e nascer.”

Os Robôs da Alvorada, cap. 1

No quesito romance policial esse livro não é mais forte que nenhum dos seus antecessores e parece beber da mesma fonte, há várias similaridades nos casos e nas resoluções, porém a forma que somos apresentados às pistas, aos pensamentos do detetive e como a condução da história mescla de forma equilibrada as descrições da sociedade auroreana, as relações entre as pessoas e os robôs, os medos e sentimentos de Bailey é sensacional. Uma boa narrativa, um bom desfecho e um livro que dá vontade de conhecer outras obras do autor.

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